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Morte no Nilo: Vale a Pena Assistir o Thriller de Agatha Christie?

Morte no Nilo adapta o clássico de Agatha Christie com elenco estrelado e fotografia de luxo. Mas o suspense entrega o prometido? Análise completa aqui.

Andriele Acosta16 de julho de 2026
Morte no Nilo - Um cruzeiro cheio de mistérios (Reprodução/20th Century Studios Brasil)
Morte no Nilo - Um cruzeiro cheio de mistérios (Reprodução/20th Century Studios Brasil)

Um Cruzeiro, uma Herdeira Morta e Poirot sem Férias

Kenneth Branagh volta ao bigode de Hercule Poirot e, desta vez, leva o detetive belga ao Egito dos anos 1930. A ideia era dar a ele umas férias merecidas. O que acontece é o de sempre: um assassinato acontece dentro de um barco a vapor no Nilo, todos têm motivos para matar e ninguém tem álibi sólido. Morte no Nilo é o tipo de filme que você assiste num sábado chuvoso sem grandes expectativas e sai razoavelmente satisfeito, mas não surpreso.

Morte no Nilo é Bom? O Veredito Direto

É entretenimento sólido que tropeça no próprio peso. O filme acerta na ambientação, na fotografia e em alguns momentos do elenco. Erra na duração do prólogo, que consome quase 40 minutos antes de o cruzeiro zarpar, e no roteiro que, em vez de conduzir o espectador pelos indícios, prefere ter o próprio Poirot explicando o que acabou de acontecer. Quem já conhece o livro de 1937 vai adivinhar a reviravolta central cedo demais. Quem não conhece vai ter uma experiência mais fluida, mas ainda assim perceberá que o filme valoriza o visual acima do mistério.

A comparação com Assassinato no Expresso do Oriente (2017), o primeiro filme da série de Branagh, é inevitável. E nela, Morte no Nilo sai no menor. O antecessor tinha um dilema moral mais afiado e um terceiro ato que entregava peso emocional. Aqui, a virada principal é tecnicamente correta, mas chega sem o impacto que deveria ter.

O Que Funciona de Verdade

A fotografia de Haris Zambarloukos é o principal argumento do filme. As pirâmides de Gizé, o deserto egípcio e os interiores do barco são fotografados com uma paleta dourada e saturada que remete às produções da época em que a história se passa. Branagh claramente quis fazer um filme que parecesse ter sido tirado de uma revista de moda de 1930, e nesse aspecto ele acerta.

O elenco de apoio tem momentos. Emma Mackey, como Jacqueline de Bellefort, a ex-noiva do marido da vítima, carrega o filme emocionalmente nos minutos em que aparece. A decisão de Branagh de incluir uma sequência de abertura na Primeira Guerra Mundial para dar a Poirot uma origem para o bigode é estranha na leitura do roteiro, mas funciona visualmente como estabelecimento de caráter. Também merece menção a cena do camarote onde Branagh usa o reflexo no vidro como metáfora direta para o que o roteiro está construindo — é o tipo de decisão de direção que existe nesse filme mas não em quantidade suficiente.

Gal Gadot como Linnet Ridgeway, a herdeira assassinada, não tem muito espaço para além de parecer rica e ameaçada. Ela cumpre esse papel com presença, mas o personagem fica subdesenvolvido para o peso dramático que precisa carregar.

O Ponto Fraco: O Ritmo e a Explicação Excessiva

O ritmo é o principal obstáculo. Chegar ao assassinato leva tempo demais. E quando o mistério finalmente começa, o roteiro de Michael Green tem o hábito de não confiar no espectador: Poirot anuncia o que está percebendo em vez de permitir que a câmera mostre. A frase que resume o problema vem de um crítico do IMDb que escreveu que o filme parece ter um personagem pausando a ação para "explicar tudo ao Poirot de novo" — como se a narrativa esquecesse que o detetive acabou de ver a mesma cena que nós.

A questão Armie Hammer pesa externamente. O ator foi acusado de abuso sexual durante a pós-produção do filme, e a Disney considerou reeditar o longa para reduzir sua presença antes de optar por lançar sem alterações. O assunto está documentado, é público e cria um desconforto que não desaparece enquanto o personagem está em cena.

Qual a Nota de Morte no Nilo?

A média ponderada entre as principais fontes chega a 6.6/10.

  • IMDb: 6.3/10
  • Rotten Tomatoes (audiência): 73%
  • Rotten Tomatoes (crítica): 69%

A consistência entre crítica e público é rara no cinema popular e indica que o consenso sobre o filme é genuíno: funciona como passatempo, não como obra de referência do gênero.

Onde Assistir Morte no Nilo no Brasil

O filme chegou à Netflix em 15 de julho de 2026 em mercados como França e Portugal. Historicamente no Brasil, ficou disponível no Disney+ (antigo Star+). Verifique a disponibilidade atualizada na Netflix Brasil ou no Disney+ antes de assistir, pois os acordos de licenciamento por região podem variar.

Também está disponível para aluguel e compra digital nas plataformas Apple TV e Google Play no Brasil, com dublagem em português.

Morte no Nilo - Trailer (Reprodução/20th Century Studios Brasil)

Ficha Técnica

  • Título original: Death on the Nile
  • Ano: 2022
  • Direção: Kenneth Branagh
  • Roteiro: Michael Green (baseado no romance de Agatha Christie, 1937)
  • Elenco principal: Kenneth Branagh, Gal Gadot, Armie Hammer, Emma Mackey, Tom Bateman, Annette Bening, Russell Brand, Ali Fazal, Dawn French, Rose Leslie, Sophie Okonedo, Jennifer Saunders, Letitia Wright
  • Gênero: Mistério, Thriller, Crime
  • Duração: 2h 7min
  • País: Estados Unidos
  • Idioma original: Inglês
  • Produtora: 20th Century Studios, Scott Free Productions
  • Sequência de: Assassinato no Expresso do Oriente (2017)
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